terça-feira, 25 de outubro de 2016

O INCAL

domingo, 23 de outubro de 2016

NOVELAS GRÁFICAS

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A PIOR BANDA DO MUNDO

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A CASTA DOS METABARÕES

domingo, 9 de outubro de 2016

CORI O GRUMETE

sábado, 8 de outubro de 2016

ADÈLE BLANC-SEC

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PAPÁ EM ÁFRICA



PAPÁ EM ÁFRICA
Anton Kannemeyer / 2014 / Edições MMMNNNRRRG

Sempre considerei o mentor das Edições MMMNNNRRRG como um rapaz de bom gosto e com tomates. Não é por acaso que gosta de bandas de inspiração satânica!!! Ainda por cima, escreve bem e dá gosto ler. Talvez escrever bem seja um exagero, mas dá realmente gosto ler. Isto a propósito da edição de "Papá em África" -  do inexpugnável sul-africano Anton Kannameyer -, o melhor álbum publicado em Portugal durante o corrente ano, ainda fresco nos escaparates mas difícil de encontrar nos mesmos pois esta malta da BD gosta de se apresentar como culta mas não deixa de ser algo conservadora! Atenção que isto não é assunto para rapazes ou raparigas sensíveis. Quando comprei o livro, numa livraria especializada, o colaborador da mesma estava a recebe-los e a preparar a sua devolução ao editor e só por mero acaso raptei o meu exemplar antes do acto. Não concebo melhor definição de ser punk nos dias que correm sem se ser anacrónico do que a da criação - e porque não também edição - de uma obra deste calibre. Num pastiche sarcástico ao "Tintin no Congo" de Hergé, o álbum - que não é mais que uma compilação de memoráveis trabalhos de Kannemeyer publicados originalmente na revista "Bitterkomix" -, apresenta uma bela capa cartonada que, numa qualquer estante de uma qualquer FNAC, poderá induzir as crianças a pensar que saiu um novo Tintin.



Nascido em 1967 numa África do Sul racista e sob o jugo do apartheid, Anton Kannemeyer revelou-se em 1992 como Joe Dog, um pseudónimo criado para não ter que enfrentar possíveis consequências dos seus devaneios, Não me é usual mas não consigo melhor descrição e/ou conceito sobre esta obra que a debitada por Crizzze e Marcos Farrajota no pósfácio da mesma. Para quê tentar explicar por palavras próprias o que está já tão perfeitamente descrito? "Papá em África é uma crítica à dominação racial e colonial qyue atravessa ainda hoje, em pleno pós-apartheid, a sociedade sul-africana, mostrando como certas estruturas sobrevivem à destruição dos quadros legais que lhe deram origem. Mas não se enganem, não vão encontrar na obra de Anton, caminhos ou sonhos para uma "nação arco-íris"; nem é oferecida nenhuma reinvenção do lugar do negro na BD ou alguma espécie de "herói" negro da resistência que pudesse ser "voz" da população negra sul-africana". Extremamente recomendável!

O ESPELHO DE MOGLI



O ESPELHO DE MOGLI
Olivier Schrauwen / 2014 / Edições MMMNNNRRRG

Olivier Schrauwen nasceu em Bruxelas em 1977 mas vive em Berlin e não é propriamente um desconhecido nem um autor não reconhecido. Louvado por artistas como Art Spiegelman ou Chris Mautner, Schrauwen tem já um passado na àrea da animação, da ilustração e da banda desenhada. Alguns dos seus trabalhos - que partem das premissas da escola da "linha clara" mas vão bem mais além destas -, são hoje clássicos contemporâneos que receberam aplausos por parte dos seus pares, críticos, leitores ou estudantes de design e de escolas de arte. É um autor a revelar ao público português (ele existe?) mas não glorifiquemos este "O Espelho de Mogli", tal como tenho visto um pouco por todos os blogues nacionais que, reféns das editoras que lhes oferecem os álbuns se sentem condicionados na sua análise. A obra não passa da recuperação de um trabalho editado em 2011 e que os intelectuais de Angoulême haviam seleccionado para os Prémios desse Festival de BD, agora submetida a nova colorização, aumento de número de páginas e de formato. É uma obra graficamente apelativa, quase singela e naif, que se baseia na personagem do romance de Joseph Rudyard Kipling (1865–1936) mas se perde um pouco numa história básica e efémera. Se era para começar por algum lado, preferia que tivesse sido por "My Boy" ou "Arsène Schrauwen" que, como escreveu Matt Seneca algures, são livros onde um autor interessante se converteu num grande artista de banda desenhada. Assim, sob chancela das Edições MMMNNNRRRG do inevitável Marcos Farrajota, lá ficámos pelas habituais tretas da reflexão "sobre o papel do Homem no Mundo e a fina fronteira que separa o homem do animal".
 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

BLAKE E MORTIMER



A edição do novo álbum da série Blake e Mortimer está programada para 5 de Dezembro próximo. Será o 23º tomo da mesma e intitular-se-á "Le Bâton de Plutarque". Desta vez, teremos André Juillard como responsável pelo desenho e Yves Sente como autor do argumento, ainda que acompanhado pelo eclético Etienne Schréder que também se dedicou à tarefa de traduzir os esboços em desenhos pintados. Uma grande equipa, portanto! A aventura desenrola-se maioritariamente em Londres e trata-se de uma préquela da obra prima "O Segredo do Espadão" com que Edgar Pierre Jacobs iniciou a série. A revista francesa Case Mate já dedicou um número ao tema, publicando várias páginas daquilo que o editor chamou de versão strip, tendo também divulgado a capa desta versão que não será certamente igual à do álbum. Também nesse número, surge um muito curioso estudo que pretende estabelecer uma cronologia da série, da autoria de Yves Sante e que procurei adaptar à nossa realidade e idioma de uma forma livre. Esta provável cronologia da obra, permitirá ler ou reler toda a série na sua ordem real. Porém, trata-se de uma mera hipótese que poderá ser sempre discutível. Jean Van Hamme, por exemplo, detecta uma lacuna: "As histórias da minha autoria decorrem após "A Marca Amarela" e antes de tudo o resto. "O Caso Francis Blake" passa-se em 1953 ou 54. "O Estranho Encontro" decorre em 1954 ou 55 e "A Maldição dos Trinta Denários" em 1955”. "A Marca Amarela" passa-se no período natalício e "O Caso Francis Blake" durante a Primaveira pois os campos e as paisagens surgem muito verdes, o que nos leva a crer que possa passar-se em 1954.

domingo, 14 de setembro de 2014

FERNANDO RELVAS

Autor de banda desenhada, caricaturista, ilustrador e publicitário português, Fernando Carlos Nunes de Melo Relvas nasceu a 20 de setembro de 1954, em Lisboa. As suas primeiras bandas desenhadas conhecidas surgiram em 1974, tendo publicado "Chico" na Gazeta da Semana em 1976. Na efémera revista "Fungagá" publicou "Uki, o Pequeno Esquimó", "Espaço 99 1/2", "Chin Lung" e "O Justiceiro do Rio Amarelo", tendo também histórias publicadas em fanzines como "O Estripador" e "Gorgulho". O grande salto na sua carreira seria a publicação de "Espião Acácio" na revista Tintin, um género de crónica bem humorada sobre a Primeira Guerra Mundial, a preto e branco, que gerou o entusiasmo dos leitores. Na Tintin, com a qual colaborou entre 1978 e 1982, surgiram também, entre outras histórias a preto e branco, "Rosa Delta Sem Saída", "Cevadilha Speed" e "L123". De seguida iniciou-se outra grande aventura, no Se7e, semanário dedicado aos espectáculos, onde publicou entre 1982 e 1988, entre outras, "Concerto para Oito Infantes e um Bastardo", "Niuiork", "Sabina", "Herbie de Best", "O Diabo à Beira da Piscina", "Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino" e "Karlos Starkiller". Participou ainda nas revistas "Mundo de Aventuras", "O Mosquito", "LX Comics" e no jornal humorístico "O Fiel Inimigo", onde ainda se publicou "Karlos Starkiller". Outros periódicos onde colaborou foram também Gazeta da Semana, Notícias da Amadora, Pão Com Manteiga, TV Mais (com caricaturas), Sábado (I série, onde se publicou, em 1989, de modo incompleto a história "O Rei dos Búzios") e Quadrado. "O Rei dos Búzios" acabou por surgir na íntegra num CD-ROM que acompanhou a revista Biblioteca de setembro de 1999, publicada pela Câmara Municipal de Lisboa. Este CD-ROM inclui uma entrevista ao autor, antigos trabalhos e textos de alguns especialistas, comemorando desta forma 25 anos de carreira de Fernando Relvas. Durante vários anos, estranhamente, não teve nenhum álbum editado, até surgir "Em Desgraça", sob a chancela das Edições Asa, em 1993. Outros álbuns que viu editados foram "As Aventuras do Pirilau - O Nosso Primo em Bruxelas", dos Livros Horizonte, em 1995, "Çufo", do Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, em 1995, "Karlos Starkiller", título inaugural da coleção "Bedeteca", em 1997, e "L123 (seguido de Cevadilha Speed)", pela ASBDP, em 1998. Foi um dos autores presentes, em 1998, no 25.º Festival Internacional de BD de Angoulême, no ano em que Portugal foi o país convidado pelo maior certame europeu dedicado à BD. Em 1999, por ocasião dos 25 anos da revolução de 1974, participou na exposição Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD, organizada pela Bedeteca de Lisboa, pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, tendo realizado uma curta história. Em 2001 trabalhou na Livraria Dr. Kartoon, de Coimbra, tendo publicado alguns cartoons (caricaturas) do Marreco, um delirante chefe de mesa de pequena estatura, no boletim da livraria, que antes tinham surgido noutras publicações. "Relvas à queima-roupa", a mais importante exposição que lhe foi dedicada, realizou-se em março de 1997, na Bedeteca de Lisboa, na mesma altura do lançamento do álbum Karlos Starkiller.



TRABALHOS PUBLICADOS >

[1976] Gazeta da Banda [Água Mole]
[1977] Uki o Pequeno Esquimó [Fungagá da Bicharada]
[1977] Espaço 99 1/2 [Fungagá da Bicharada]
[1977] Chin Lung [Fungagá da Bicharada]
[1977] Justiceiro do Rio Amarelo [Fungagá da Bicharada]
[1979] O Espião Acácio [Tintin]
[1980] O Controlador Louco [Mundo de Aventuras]
[1980] O Povo de Ferro [Mundo de Aventuras]
[1980] Viagem ao Centro da Terra [Tintin]
[1980] Rosa Delta Sem Saída [Tintin]
[1981] L123 [Tintin]
[1981] Cevadilha Speed [Tintin]
[1981] Os Planetas Mostram-lhe o Mundo da Astrologia [Pão Com Manteiga]
[1982] Slow Motion [Tintin]
[1982] Kriz 3 (inacabada) [Tintin]
[1982] Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo [Se7e]
[1983] Niuiork [Se7e]
[1983] Sabina [Se7e]
[1983] Ai, Este Chavalo Seria Tão Barilo Se... [Se7e]
[1984] Herbie de Best [Se7e]
[1984] Sangue Violeta [Se7e]
[1984] Taxi Diver [Se7e]
[1984] Karlos Starkiller [Se7e]
[1984] Vast [O Mosquito 5ª Série]
[1985] As Fantásticas Aventuras de Godofredo Leitefresco [Pau de Canela]
[1985] A Sombra de Xizhakt Rabin [Se7e]
[1986] Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino [Se7e]
[1986] A Noite das Estrelas / Soviet Sex [Se7e]
[1986] O Diabo à Beira da Piscina [Se7e]
[1987] O Mistério da Travessa dos Meninos de Deus [Se7e]
[1987] A Costa do Marisco / El Papagaio [Se7e]
[1987] A Perversa Sobranceria do Hermetismo no Saber [Se7e]
[1988] O Atraente Estranho [inclui "A Missão"] [Se7e]
[1988] O Umbral Luminoso (inacabada) [Se7e]
[1989] O Rei dos Búzios (inacabada) [Sábado]
[1991] Gulf Stream [LX Comics]
[1993] Em Desgraça [Edições Asa]
[1994] Testos Torres Contra Cara Dread [O Inimigo]
[1994] Cacilda [O Inimigo]
[1994] O Regresso do Hipopótamo [O Inimigo]
[1995] O Nosso Primo em Bruxelas [Livros Horizonte]
[1995] Testos Torres Contra Cara Dread [Quadrado 2ªSérie]
[1995] Karlos Starkiller [Quadrado 2ªSérie]
[1995] Çufo [Ministério da Educação]
[1995] O Ananás que Ri [Fanzine auto-editado]
[1997] Karlos Starkiller [Baleia Azul/Bedeteca de Lisboa]
[1997] Relvas, À Queima Roupa [Bedeteca de Lisboa]
[1998] L123 [ASIBDP]
[1998] Chez Marreco (cartoons) [GrandAmadora]
[1999] O Rei dos Búzios [CDRom] [Boa Memória Produções Multimédia]
[2000] O Regresso de Fernando Relvas [Selecções BD 2ªSérie]
[2003] Jaca [Comix 05]
[2007] Palmyra [lulu.com]
[2007] The Green Fish [lulu.com]
[2011] Li Moonface [Pedranocharco]
[2012] Sangue Violeta [El Pep]
[2013] Ask a Palmyra [CCB Publishing]

CONCERTO PARA OITO INFANTES E UM BASTARDO



Na posse, desde a altura da sua original edição nas páginas do semanário "Se7e", de praticamente toda a obra de Fernando Relvas publicada nesse jornal, inicio aqui a sua divulgação digital restaurada. A colaboração de Relvas no jornal iniciou-se em 1982 com "Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo", uma novela suburbana na linha de "L123" e "Cevadilha Speed" publicadas nos últimos anos do Tintin. É quase um crime estas pranchas serem desconhecidas de grande parte do público. O autor remontou, em 2002, esta banda desenhada, conforme consta no seu blogue "Hardline", numa versão algo distinta da original, muito provavelmente para edição no estrangeiro. A edição das restantes histórias far-se-á cronologicamente.














Esta história foi concebida em 1982, quando eu vivi durante um breve período de tempo na Alemanha, com o título de "Fred? Fred Está Morto". Um jovem taxista envolve-se em problemas de um velho amigo, Fred, que acaba morto devido ao seu envolvimento no tráfico de cocaína. Era suposto ser a continuação de um outro trabalho que publicara na versão portuguesa da revista Tintin. Era o meu regresso a um tipo de narrativas ligadas aos ambientes suburbanos do crime e das drogas duras. Mas a revista terminou abruptamente e tive que procurar um novo local para editar o meu trabalho caso quisesse sobreviver. Escolhi um jornal semanário ligado ao espectáculo - cinema, teatro, televisão e sobretudo música - intitulado "Se7e". O editor, depois de alguma hesitação, decidiu finalmente aceitar a publicação do meu trabalho. O motorista de táxi foi transformado num jornalista, mais alto e vestido de acordo com o padrão da moda urbana europeia da altura. Parte da história gira em torno de uma estrela pop, Kiki Lavil, cujo único objectivo era tornar a história ainda mais elegante e adaptada ao meio onde iria ser publicada. Em simultâneo, decidi dar a Fred uma chance de sobreviver, pois não está claro, no final, se ele morre ou não. É uma história de 23 páginas intitulada "Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo". Percebi de imediato que o leitor habitual do jornal tinha alguma dificuldade em seguir o ritmo da edição semanal em regime de continuação da meia prancha, a preto e branco e em papel pobre de jornal e, depois de "Concerto" optei por me dedicar a criar histórias curtas, experimentando muitos estilos distintos de texto e desenho com resultados irregulares. Em 2002 refiz "Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo" numa versão que foi parcialmente editada numa revista.
[Fernando Relvas, Hardline Blogue, 23-02-2011]

domingo, 7 de setembro de 2014

ESTACIÓN 16



ESTACIÓN 16
Hermann/Yves H. / 2014 / ecc

Maio de 1997, Rússia, ao norte do Círculo Polar Ártico. Um novato de uma patrulha fronteiriça recebe um sinal de socorro demitido pela Estação 16 nque há muitos anos se encontra desactivada devido ao desinvestimento russo no seu programa nuclear. Ninguém ali vive desde a era dourada das experiências atómicas que se realizaram há 30 anos. Quando, integrado no seu pelotão, procuram investigar o que se passa, encontram um ferido que garante ter sido atacado pelo novato. É nessa altura que uma explosão eclode nos céus! Neste mistério que avança e recua no tempo, a equipa criativa formada por Hermann e pelo seu filho Yves H., oferece uma grande aventura sobre o elevado preço que a humanidade tem que pagar devidos aos erros do passado. Hermann continua ihgual a si mesmo, explorando ao limite os cenários e situações apocalípticas, na senda do que fez com Jeremiah. A tensão, elemento sempre presente nas suas aventuras, é quase um guia do enredo. Graficamente, o álbum tem momentos memoráveis, com pranchas dignas de figurarem nos anais das melhores de sempre!